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Portugal: Contador de Histórias Rui Ramos - Cartão 12

por jardimdoolivalespedrodacova, em 29.05.18

Sem hesitar, o Mestre apressou-se a recolher cada um dos elementos listados e atirou-os para o interior de uma taça que surgiu na sua mão. Entoou uma estranha lengalenga e com um gesto da outra mão livre, explodiu com o conteúdo da taça.

A leoa fechou os olhos com o clarão de luz libertado.

- Bebe! – ordenou Chaka-Al.

Ela obedeceu e sentiu aquele estranho líquido espesso e quente a descer-lhe até ao estômago. Uma poderosa energia inundou-a.

- Deixa que o poder desta poção te conduza na luta contra os invasores da Terra. – enquanto falava, a Leoa Vermelha crescia sem parar.

- Isso, cresce! Cresce! – gritava o Mestre para ser ouvido pela gigantesca Leoa que continuava a aumentar de tamanho, ultrapassando as montanhas mais altas da região.

- Agora salta e abandona o planeta para fazeres frente à ameaça extraterrestre.

 A Leoa inspirou fundo e deu o maior salto da sua vida. Num instante, passou a atmosfera e mergulhou no vácuo do espaço, polvilhado de estrelas. À sua frente, a frota invasora de naves de guerra espaciais preparava-se para lançar o seu ataque. Perante aquela inesperada aparição monstruosa, os extraterrestres entraram em pânico e dispararam contra a Leoa Vermelha. Mas os tiros não fizeram mais que a enfurecer e ela soltou o seu poderoso rugido. A onda sonora gerada arrasou com toda a frota invasora. A estrutura das naves fragmentou-se em milhões de partículas, consumidas numa magnífica bola de fogo.

Visto da Terra, os seus habitantes acreditaram ter visto um segundo Sol no Céu, tão grande foi a explosão que destruiu por completo a ameaça extraterrestre.

Quando o fogo se extinguiu e os terrestres puderam voltar a olhar para o céu, viram uma estrela cadente que deixava um rasto de luz vermelha. Era a Leoa que inconsciente caía desamparada a grande velocidade, atraída pela gravidade da Terra, rumo à sua morte. A sua dimensão colossal ia diminuindo até ficar reduzida ao tamanho original.

Chaka-Al ergueu os braços e invocou as grandes águias reais. Rápidas a responder às suas ordens, voaram até a Leoa e apanharam-na em pleno voo e levaram-na até ao Mestre, pousando-a gentilmente a seus pés.

O corpo da Leoa fumegava sem vida. Chaka-Al pousou as suas mãos sobre o seu dorso e entoou um cântico. As suas palavras mágicas ecoaram por todos os vales e montanhas e a terra tremeu, o vento rodopiou por entre as árvores da selva e por fim, a Leoa ressuscitou com um grito selvagem.

- Bem-vinda de volta. – cumprimentou com um sorriso o Mestre. – Conseguiste terminar a tua tão difícil missão e como recompensa concedi-te a vida e um desejo. Pede o que quiseres.

- Obrigado, Mestre! - agradeceu profundamente a Leoa renovada. – Tudo o que desejo é regressar a casa e que a floresta destruída volte a renascer e que os seus animais possam voltar a habitá-la.

- É esse o teu desejo?

- Sim, é. – disse determinada.

- Então que se realize. – e com um gesto largo da mão, o Mestre Chaka-La teletransportou a Leoa no espaço até casa, enquanto que à sua volta árvores brotavam do chão e espreguiçavam os seus ramos cobrindo-se de folhas e flores perfumadas. Os animais, atraídos por aquele espetáculo vivo da natureza acorreram para escolher os melhores lugares para morar.

Agradecidos, os animais da floresta nomearam a Leoa, sua rainha, e viveram felizes debaixo do seu reinado justo e bom durante muitos e bons anos. A Leoa Vermelha foi tão amada pelo seu povo que ainda hoje a sua Lenda é contada e recontada e serve de inspiração às futuras gerações.

 

 

 

 

 

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publicado às 22:53



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